15 junho 2010

A CANÇÃO DE QUALQUER MÃE

Este texto da Lya Luft saiu na Veja de 12/maio. Vale ler.

A canção de qualquer mãe
Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante.
Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.

06 junho 2010

ADAPTANDO


Querendo ou não, o novo surge a cada momento. E, ainda bem que isso acontece para se fugir da monotonia do sempre igual.

Tudo está sempre em movimento como roda de um moinho invisível. Mesmo que não se perceba existe uma congregação de acontecimentos se sucedendo no passar das horas, alheios a qualquer jurisdição que se queira impor ou estipular.

Posso até dizer que esse desenrolar de novelo é uma conspiração invisível. Uma energia intocável, chamada destino, deve ter o comando, o poder de encadear situações, criar chances, desarrumar o estabelecido, decepcionar metas, dar marcha ré nos sonhos, trazer surpresas à revelia de nossa vontade.