26 dezembro 2010

PORTAS



Terminei de ler um dos livros da Lya Luft: Múltipla escolha. Uma das assertivas da autora me tocou fundo, talvez pela proximidade do final de mais um ano, quando se pensa e se repensa no significado da vida com mais atenção e cuidado.

“A vida é uma longa construção. Construção de emoções positivas, com porões de tristezas e um sótão de decepções, mas a sala e os quartos arejados, com portas que podemos abrir para que se revele o que ainda virá em seguida e vai se desdobrar.”

Beleza de imagem. Portas que esperam ser abertas em sala e quartos arejados.

Pois que, em 2011, abram-se as portas para o que há de vir.

COLAGENS

Colagem, segundo a pesquisa que fiz, é a composição feita a partir do uso de matérias de diversas texturas, ou não, superpostas ou colocadas lado a lado na criação de um motivo ou imagem. Ela é uma técnica não muito antiga, criativa, fascinante, utilizada fartamente na atualidade e que tem por procedimento juntar numa mesma imagem outras imagens de origens diferentes.



Colagens internas são comuns nesse período de festas de final de ano, mesmo que passem ao largo do concreto e do palpável e nem sejam perceptíveis a olho nu.


Pois, exatamente, motivada pela chegada do Natal, ao invés de montar um pinheiro com ornamentos, luzes, guirlandas, resolvi elaborar uma colagem de fatos e fotos. Separei uma folha de cartolina branca, recortei imagens de lugares especiais, juntei retratos de todos que amo desde que nasci e, também, de tantos que se juntaram a minha caminhada atual, montei figuras assimétricas com cenas de muito tempo no devaneio que permito a mim mesma. Cenas recortadas da memória de muitos natais, de épocas de casa cheia, de mesa farta, de sons amados nas orações murmuradas e nas canções entoadas de braços dados e olhos cheios de lágrimas numa emoção transbordante de afeto, de fé, de ternura.

18 dezembro 2010

OLHAR

Pouco importa a cor dos olhos de quem nos olha pela primeira vez. O modo de olhar é que faz a diferença. Claro que se o olhar vier embalado em cores várias e bonitas, estremece ou cristaliza o que, em nós, vive em estado de semeadura a espreita de ser descoberto. Porque é muito bom ser alvo de um olhar assim, desses que nos viram do avesso, invadem nossos labirintos, descobrem os tesouros guardados em cofres de pensamentos.