18 dezembro 2009

COLHEITA



Permiti que o celeiro ficasse vazio. Estranha a sensação de perceber que deixei se esvaziar o acervo das colheitas na expectativa de que, assim, eu colheria novos grãos. Com seria possível, se me descuidei do plantio? De que maneira, se deixei que ervas daninhas se espalhassem de forma desordenada? Abandonei velhos sentimentos para me esquecer deles, na ilusão de que todos sairiam pé por pé, silenciosamente, deixando o espaço vago para a aparição de novas ocupações. Que tolice!
A taça de vinho não precisa ficar vazia para poder ser completada. 
 

09 dezembro 2009

Outros autores

Como eu escrevo?




Eu escrevo como quem vomita a alma.

São meus sentimentos transformados em versos ou em palavras soltas, desconexas, que talvez só eu entenda.



Eu rabisco minhas dores, minhas fantasias, meus medos, minhas reflexões.

Eu escrevo como quem dá o primeiro beijo, como quem vai para uma entrevista de emprego, como quem prepara uma receita complicada, como quem planta, como quem colhe.



Nem sempre é fácil, já que minha alma é desnorteada e confusa.

Então escrevo, leio, releio, substituo palavras, apago tudo e por vezes até desisto!

Outras vezes as frases fluem tão facilmente, tão naturalmente e fica tão bonito... meio que inexplicável a sensação!



Eu escrevo como quem aceita um desafio.

Com emoção.

A MOÇA DO SONHO