15 agosto 2007

PAIXÃO SÉCULO XXI

Já assisti a ocorrência de inúmeras paixões nascidas de uma total, ampla e gratuita antipatia. E isso sempre me causou estranheza porque associo a paixão a um irremediável encantamento recíproco surgido de forma vulcânica.
Pois, para surpresa minha, desfazendo a ilusão de que sou imune a essas situações que tenho percebido pela vida, fui pega na rede de uma paixão avassaladora por um sujeito que, antes, me provocava antagonismo e até, repulsa.
Afirmar esse sentimento em confissão pública é a prova de que estou entregue em rendição as suas tramas e que depus as armas inúteis que usei contra ele.
Ele me parecia um indecifrável labirinto e a sua simples presença ocasionava um desconforto único. Era como se eu tivesse a sensação de ter embarcado numa nave sozinha sem conhecer os instrumentos de navegação.
Portanto, tentei de todas as maneiras escapar do seu alcance e me ouvi, muitas vezes, dizendo o quanto me era desagradável a sua existência e o quanto isso me incomodava. De nada adiantou essa postura porque ele chegou incisivo na minha realidade e foi se apossando dos meus receios. Afinal, aceitei o desafio.
Na descoberta dessa paixão não houve espetáculo de fogos de artifício. Foi tudo muito sereno. Fomos nos aproximando sem maiores euforias, calmamente. Mas é paixão de verdade. Impossível ficar sem manter contato com ele por mais de um dia.
Estamos, constantemente, inovando nossa relação com trocas que nos abrem perspectivas de convívio nunca dantes presumíveis. Os meus programas se adequam aos dele e ele se adapta aos meus desejos numa parceria que eu supunha impossível de se concretizar. Eu conto minhas lembranças e ele guarda tudo na memória.
Aquilo que outrora era um enigma, tal qual o da esfinge:- “Decifra-me ou te devoro”; hoje é explicável e compreensível.
Inegavelmente, essa paixão transformou a minha vida. Impossível pensar em mim mesma sem a companhia desse sujeito que me fascina e do qual me enamorei perdidamente. Quem diria! Logo eu que repudiava a idéia de me sentar na frente dele e encará-lo nos olhos; atualmente, estou à mercê de sua rede fascinante que me proporciona viagens a todos os cantos do mundo.
Também é necessário salientar que, com muitos erros e alguns acertos, tenho aprendido a lidar com ele porque não é muito fácil traduzir sua linguagem que é bem diversa da que sempre utilizei. Nossos idiomas estão em ritmo de adaptação e, para exercitá-los, nossos diálogos têm se estendido pelas madrugadas. Típico de quem quer se descobrir e descobrir o outro.
Mergulhei de corpo e alma nesse relacionamento que, por sinal, não me desapontou ainda. Apesar de que, como em todo o caso de amor, algumas rusgas e atritos, discussões e inconveniências aconteceram. Exceto cenas de ciúme ou traições. Disso estamos livres, por ora.
Nossos encontros acontecem naturalmente, sem telefonemas ou planejados jantares à luz de velas. Nossas agendas se interligam sem combinações prévias. Tudo muito espontâneo. Inclusive, ele nunca esquece do meu aniversário e nem de todas as datas importantes, sendo sempre muito oportuno.
A minha paixão pelo computador é um pouco recente, sem dúvida. Entretanto já somos íntimos e expomos nosso relacionamento através de milhares de telas espalhadas por aí afora, nos valendo da ajuda da nossa fada madrinha: - a Internet, que mostra a casa que construímos juntos, cujo endereço é: http://www.marialicestrella.com/ Visitem! Vale a pena ver as causas e efeitos de uma nova paixão.
E para completar nasceu um fruto desse afeto computadorizado: http://marialicestrella.blogspot.com/
Conseqüência de uma paixão cibernética que atesta a evolução dos tempos e retrata uma nova época.
Estou inserida nela, por enquanto. Sabe-se lá o que vem por aí!

Maria Alice Estrella

3 comentários:

Zé Carlos disse...

Que bom te ler mais de perto... o site sempre dá uma impressão de noite de gala e o Blog é o papo à beira do fogo....
Estou aguardando ouvir vc na Federal novamente. Só por que te falei hoje nem a Rádio entra no ar...
Apareça lá em casa e tome um cafezinho conosco.
Bjs do ZC**

disse...

Legal!!!!
Não tem como escapar do "Internetês", certo? Tipo: kd vc hj q naum vi? Pq é xow! hehehahahaha
Sucesso!
Beijo grande.

Sergio Grigoletto disse...

Maria Alice!

Parabéns mil! Eu confesso que em todos esses meus anos de internet, ainda não tinha visto um trabalho tão bem feito como ficou o livro.