12 agosto 2007

A UM JOVEM PAI


A primeira sensação foi de pânico. O medo do novo, a insegurança da estréia, a conscientização da responsabilidade. Ao mesmo tempo a alegria da continuidade, a euforia da vida dando as mãos numa ciranda de sentimentos únicos.
Os preparativos fazem parte de um roteiro que o dia-a-dia tece compassadamente. Mil e tantas preocupações povoam teus pensamentos e algumas pequenas ansiedades surgem para compor o cenário. Mas a felicidade se estampa no teu sorriso numa expectativa repleta de satisfação.
Em breve, nascerá o fruto do teu amor. Teu coração ficará descompassado de emoção ao estreitares nos braços a criança, que te chamará de Pai.
Nesse momento, o mundo a tua volta ficará em absoluto silêncio, reverenciando esse encontro. A onda de amor que invadirá teu peito será intensa e imensa e aquecerá tuas entranhas como fogo em brasa. Teus olhos irão se inundar de lágrimas. Tuas mãos, trêmulas no primeiro instante, se tornarão firmes e fortes ao peso do tesouro que estarás segurando.
Então, a partir daí, começará tua missão. O ofício de ser Pai. Pai escrito com letra maiúscula porque é uma sublime tarefa que exigirá o melhor de ti em todas as horas.
Deixarás de ser um para seres muitos. Tuas prioridades cederão espaço a essa nova vida que veio através de ti, mas que não te pertencerá. E esse é o primeiro grande ensinamento que deverás aprender. Como bem escreveu Gibran: “Vossos filhos vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem”.
Alimentar, vestir, matricular na escola serão os cuidados básicos que competem a ti. Porém, de igual e suma importância, será a incumbência de educar, de ensinar, de estabelecer limites e regras de convivência.
Prepara, pois, teus instrumentos, afia tua percepção, aguça teus sentidos, reforça teus conhecimentos e arregaça as mangas para executar o compromisso da paternidade.
Muito será exigido de tua paciência e de tua compreensão. Terás que adaptar a tua idade de acordo com a evolução do tempo dessa nova alma que nasce. E posso te afirmar seguramente que com ela aprenderás muito mais do que imaginas.
Deixei para o fim, o mais importante. O amor, a cumplicidade, o companheirismo, o respeito. Nunca te omitas de uma repreensão ou de um afago, buscando ser o mais oportuno possível.
Amar um filho é muito mais do que beijá-lo e abraçá-lo. Amar um filho é ser, algumas vezes, o Pai exigente, bravo, cobrador. A vida lá fora é ingrata e rude, quase sempre. Amar um filho é prepará-lo para o combate.
Procura ser o leme, a bússola, a âncora na embarcação da convivência até que teu filho saiba navegar por si mesmo. E nas tormentas, segura a sua mão com firmeza e carinho. Na calmaria, deixa que as velas fluam ao sabor da brisa. No entanto, nunca deixes de estar atento as possíveis mudanças dos ventos. Tenta estar sempre alerta.
Ao final, te transformarás em farol, iluminando de longe o rumo mais seguro.
Difícil? Muito difícil! Mas não esquece de que a ti foi dado o privilégio de ser Pai.
A recompensa das vicissitudes e infortúnios da existência é o mérito a que farás jus pela paternidade que realizas ao gerares uma outra vida e pela qual assumes todos os riscos e responsabilidades na prolongação de ti mesmo como vertente de rio, avançando de encontro ao infinito.
Depende de teu desempenho como arco o rumo que a flecha viva arremessada alcançará. E relembrando Gibran: “Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas”.
Ao te tornares Pai, terás a exata dimensão do amor dos teus pais e com os erros e acertos deles, comporás a tua própria sinfonia.
A sinfonia do amor maior. Desejo sucesso total na estréia e sempre!

Com muito amor
Mamãe

Maria Alice Estrella

7 comentários:

disse...

Oiiiiii!!!!
Parabéns pelo Blog!!! Muito legal!!!!
Beijo grande.

Verinha disse...

Maria Alice,

Que maravilha escrevestes para o Rodrigo! Que lindo! Acho este blog otimo! Congratulations!

Ricardo Estrella disse...

Parabéns Mãe!!!!
Só esqueceste de mencionar: "...teu filho torcerá pelo time do futuro padrinho: o Imortal Tricolor..." hehehe
Te amo, ótimo texto.

Bjos do teu fiLho que ama, Ricardo.

Clarissa Alcantara disse...

e chegas aqui, no fundo de mim, fazendo doce prosa esse tamanho e louco risco: da epidêmica saudade
resta um curto traço escrito - ELA, no esquecimento, ainda se deixar cantar!
"como poderei viver... como poderei viver... sem a sua, sem a sua, sem a sua companhia?!!"

PARA AS QUE VIVEM DOCE SUAS SAUDADES

Maria Alice Estrella disse...

Que sensação boa é receber essa troca!!!! Escrever e ser lida... Que dádiva!

Carmo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carmo disse...

Maria Alice,
Que lindo!!!!
É uma declaração de amor ao pai e ao neto!!!!
Parabéns !!!!!