05 maio 2008

CARTA À MANUELLA



(Dia Internacional da Mulher)


Desde que eu soube que chegarias comecei a preparar a minha alma. Deixei os pensamentos fazerem ciranda em volta do imaginário e teci as emoções em torno dos meus braços para te receber.
Na maternidade duplicada, renovada e sublimada com o teu nascimento me revejo no espelho da vida, embalando a continuidade de mim mesma no regaço da alegria.
Manuella! Menina-mulher, carne da minha carne, sangue do meu sangue, na seqüência das gerações de uma raça de guerreiras, te escrevo essa carta com palavras espalhadas num tapete de boas-vindas.
Espero que na tua caminhada consigas ser singular, sublime, especial, valente, frágil, contestadora, apaziguadora, transparente, versátil, acomodada, compreensiva, prática, sensível, misteriosa na diversidade peculiar de ser mulher.
A mulher singular, porque se distingue em meio à raça humana como única e inconfundível.
A mulher sublime, que supera a limitação da própria humanidade e transcende ao comum.
A mulher especial, que cada uma consegue ser a sua maneira e circunstâncias.
A mulher valente, que encara a vida no cotidiano como se fosse o recomeço constante do exercício de ser feliz sem medo de enfrentar o reverso da moeda.
A mulher frágil, que assume as contingências naturais que lhe acompanham e treme de medo de ser rejeitada.
A mulher contestadora, que indaga, interroga, perscruta, e não se conforma com respostas curtas e tolas.
A mulher apaziguadora, que transborda mel por entre os dedos, entre as palavras, entre os gestos e neutraliza as guerras, as contendas, as discussões.
A mulher transparente, que transpira, inspira e respira sentimentos sem mascarar o olhar.
A mulher versátil, capaz de ser muitas e tantas numa só imagem, num só momento.
A mulher acomodada, que depõe as armas e se instala num pacifico repouso até a próxima batalha.
A mulher compreensiva, que entende os silêncios e lê nas entrelinhas.
A mulher prática, que separa o joio do trigo e é capaz de organizar o caos.
A mulher sensível, com todos os sentidos em alerta e mais alguns: sexto, sétimo e o que for surgindo, dependendo da necessidade da situação.
A mulher misteriosa, essência das essências extraordinárias da natureza. Essa translúcida presença, cuja estranha magia envolve, fascina e encanta, completa um círculo invisível e ata os laços, desfazendo todos os nós.
Que sejas, minha neta, a honorável descendente das bravas mulheres que te antecederam na tua árvore genealógica e que repitas seus feitos e renoves a coragem, a força e a sensibilidade de cada uma delas em todos os teus dias.
Porque ser mulher é ser todos os dias a especial imagem da ternura humana em forma de poesia.
E que, principalmente, uses os atributos que Deus te deu para ventura dos teus pais, de quantos os que te rodearem e, também, para a tua própria realização de ser mulher, escrevendo no livro da tua vida um poema digno de ser lido e relido através dos tempos.




3 comentários:

Mônica Ferreira - RB/RJ disse...

Maria Alice, passei em revista seu blog hoje, coisa mais querida homenagem a 'Manu'. Como sempre, fiquei lendo e relendo, com cara de idiota na frente da tela, agradecendo a Deus, o presente que recebeu ao conseguir exteriorizar com palavras sentimentos e pensamentos, tocando a mente e o coração daqueles que tem a oportunidade de conhece-la. BEIJOS

Letícia disse...

Lindo. Simplesmente tocante.
Imagino a emoção da Manuella lendo (e compreendendo) essas linhas que tu escreveu,de uma sensibilidade que só tu possui.
Uma homenagem linda e pra sempre.
Beijossssssssssssss.

KK disse...

Mãe... Mais uma vez parabéns!!!!
És sensacional!!!
Te amo.