30 julho 2008

BEIJOS E LÁGRIMAS

A aurora recolhe
as lágrimas da noite
em gotas transparentes
pingentes de cristal
penduradas nos galhos
como brincos roubados
do cofre da madrugada
para enfeitar a vida
na paisagem preferida
de todos os poetas,
que guardam na retina
a imagem fotográfica
do instante mágico
dos beijos do orvalho
na boca das manhãs.

Foto: Clarissa Alcantara
Web Design: Michelle Rossi

EXÍLIO

Minh’alma
tem o estranho hábito
de exilar-se
do meu corpo
quando sente nostalgia
e contempla em silêncio
os segredos das ruas
por onde se embrenham
as minhas doces lembranças...

E me espalho
como a luz,
por entre as pedras,
filtrando emoções
que a voracidade
do tempo
armazenou em pedaços
simétricos
de saudade
como cicatrizes
no perfil
de uma cidade!
Foto: Clarissa Alcantara

24 julho 2008

CADEADO



Fechei com cadeado
a porta do coração.
Cerrei as cortinas
da janela da alma.
E celebrei com vinho doce
a festa da liberdade
dos sonhos
que voaram pela chaminé do tempo.
Estou completa
na solidão constante.
Encontrei a paz
de ser silêncio
na coragem de viver
inteira
a dimensão
da tristeza
e da alegria.
Venci a mim mesma
ao romper os grilhões
do efêmero,
sendo eterna
no instante que passa,
retornando as origens
das emoções absolutas.




Foto: Clarissa Alcantara

23 julho 2008

ACALANTO DO TEMPO



Permite
que eu fique por perto
sem palavras, em silêncio
aconchegada no peito
da ternura descoberta.

O tempo caminhou muito
e está cansado de andar...

Nas linhas que a vida tece
somos caminhos cruzados
nos entremeios do acaso
que rege o inesperado.

O tempo caminhou muito
e está cansado de andar...

Repousa
teu jeito menino
no ombro do meu carinho
Estende
tuas mãos vigorosas
na direção do horizonte
Conquista
a luz que ressurge
na claridade do céu
Viaja
nos braços da noite
na quietude do sono
Deixa
que os sonhos embalem
a alegria desperta
sem pressa, na calmaria
do mútuo bom que acontece
no instante que comporta
a plenitude das horas
no infinito do abraço...

O tempo caminhou muito
e está cansado de andar...

Permite que eu te ame por inteiro
sem palavras, em silêncio
na intensidade do gesto,
acariciando o teu rosto
na imensidão de um celeiro,
que armazena colheitas
de risos e recompensas...
de um tempo que caminhou muito
e está cansado de andar...