06 dezembro 2008

ADAPTAR


A realidade se modifica e, de algum modo, a favor ou contra a vontade particular de cada um, a ordem que se recebe do cérebro é: adaptar-se ao momento presente.
Pode-se espernear, bater pé, reclamar. De nada adianta, porque a realidade dos fatos se impõe como soberana absoluta e déspota.
A vida é assim na sua obra de imprevisíveis enredos e inesperados capítulos.
Muitas vezes, os acontecimentos se desenrolam lentamente, sem precipitação. Uma ação leva a outra e as mudanças se fazem sem estardalhaço, tão suaves como folhas caindo das árvores no outono.
Noutras tantas, as ocorrências chegam repentinamente, desagregando, arrancando o chão debaixo dos pés, desmoronando as paredes seguras onde abrigamos a nós mesmos.
De qualquer forma, a atitude mais sábia é procurar alguma saída desse labirinto, que nos surpreende e desafia.
Das coisas mais corriqueiras às mais complicadas, um mecanismo de defesa nos impulsiona a adequar, ajustar as emoções para enfrentar o novo. Harmonizamos o silêncio com uma misteriosa música interior. Acomodamos a solidão na companhia de nós mesmos, ali “onde não vai ninguém, mas onde há festa ainda” , como cita Julio Dantas em Ceia dos Cardeais. Ajeitamos o fim da relação amorosa com uma dose de “poderia ter sido pior”. Lidamos com a saudade num quebra-cabeça de lembranças. Amoldamos nossas vontades e desejos contrariados a um diferente posicionamento.
Nadar contra a correnteza é exaustivo e extenuante. O mais apropriado é deixar que as ondas nos levem de volta à praia. O mesmo ocorre com a realidade. A vida não é ficção, nem fantasia. É real. Está plasmada no espelho de cada manhã. Impossível não enxergá-la. Preciso é encará-la de frente e aceitar ceder a sua força.
Mudanças de planos ocorrem a todo instante. Idealizamos projetos e, num piscar de olhos, caem por terra. E temos que conviver com os destroços que sobraram, intentando um diverso traçado.
Noutro dia, precisei ligar um aparelho eletrodoméstico e o encaixe do fio não se ajustava à tomada. Cheguei à conclusão de que era necessário ter um adaptador.
A realidade é como um fio que precisa ser ligado na energia e somos nós, os adaptadores quando percebemos o que a vida nos está pedindo naquele exato momento e se nos adequamos as suas exigências, criamos um meio de superar a adversidade e fazer dela uma alavanca para o sucesso.
Existe sempre um jeito de acomodar a realidade, de adaptar o dia de hoje, agradável ou não, à disposição de um novo amanhecer.
E de tanto exercitar as adequações, aos poucos, vamos solucionando as equações das mais simples as mais complexas, num estalar de dedos.
Adaptar-se pode ser um dos sábios modos de bem viver.

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