
Domingo ensolarado. Nada melhor do que, depois de uma caminhada, voltar para casa e ouvir música. Entre muitos, escolho Nana Caymmi e sua excelente interpretação. Distraída, sem prestar muita atenção ao repertório, continuei minhas tarefas ao som do ritmo. Mas, de repente, parei com tudo e como se a minha imagem ficasse congelada numa tela de televisão, a canção penetrou alma adentro e colocou suas mãos em volta de mim na carícia que a arte costuma dar a nós, pobres mortais.
Em absoluta reverência, apertei o botão do som para ouvir desde o início.
“Batidas na porta da frente. É o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento. Mas fico sem jeito, calado. Ele ri. Ele zomba do quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei. Num dia azul de verão, sinto o vento. Há folhas no meu coração. É o tempo. Recordo o amor que perdi. Ele ri. Diz que somos iguais, se eu notei, pois não sabe ficar e eu também não sei. E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro, sozinhos. Respondo que ele aprisiona, eu liberto. Que ele adormece as paixões, eu desperto. E o tempo se rói com inveja de mim, me vigia querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver. No fundo, é uma eterna criança que não soube amadurecer. Eu posso e ele não vai poder me esquecer.” (Cristovão bastos e Aldir Blanc)
E já que o ano está em vias de sair pela porta da frente, melhor agilizar a despedida, sem antes deixar registrada sua trajetória.
De uma forma bastante agitada, a passagem de 2008 nos meus dias (ou foram dele?) foi rápida e nem sei bem onde ficaram muitos dos acontecimentos. Os bons momentos que me proporcionou foram preciosos, sem dúvida. Minha descendência se prolonga em alegrias e bem-aventuranças. Exerci a entrega em gestos, palavras e emoções. Recebi bênçãos e estendi meus braços para acalentar a vida.
Mágoas não guardo da companhia desses 366 dias pois, passaram vorazes e deixaram marcas suaves em minhas lembranças. Muito trabalho e trabalho. Nada de muito trágico aconteceu. As perdas foram sentidas dolorosamente na prática de aceitação. Para isso fomos feitos, também. Despedida dói e chorá-las é catalisar as feridas. No fio suspenso das expectativas ficaram as angústias balançando.
Afora isso, no tempo em que 2008 esteve comigo, foi testemunha de conquistas e aquisições de há muito esperadas. Comemo, pois!
Foi um ano bom, malgrado os tropeços e a falta de tempo, que não permitiu mais atenção aos que me são queridos. Fez, como um amante egoísta e ciumento, com que, muitas vezes, eu me tornasse omissa em situações que exigiam a minha presença e companhia. De qualquer forma, agradeço cada dia que partilhou comigo, a sós. Enriqueceu meu calendário de vida com mais um pacote de 12 meses. Valeu!
“E se o tempo sabe passar e eu não sei, eu posso e ele não vai poder me esquecer.” Que o amor que perdi me encontre em algum outro tempo, num lugar diverso, com novo figurino, de cara nova e limpa, sem máscaras, sem medo, sem reticências.
Pois, sempre damos uma resposta ao tempo que bate na porta da frente.
Que a nossa resposta a 2009 seja coerente, mesmo que nos faltem palavras e nos sobrem pensamentos.
A vida corre como um rio de amplas margens. Que saibamos aproveitar a paisagem e sejamos capazes de libertar sonhos e despertar paixões, mesmo que o tempo tente aprisionar ou adormecer nossas tentativas de reviver.
Em absoluta reverência, apertei o botão do som para ouvir desde o início.
“Batidas na porta da frente. É o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento. Mas fico sem jeito, calado. Ele ri. Ele zomba do quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei. Num dia azul de verão, sinto o vento. Há folhas no meu coração. É o tempo. Recordo o amor que perdi. Ele ri. Diz que somos iguais, se eu notei, pois não sabe ficar e eu também não sei. E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro, sozinhos. Respondo que ele aprisiona, eu liberto. Que ele adormece as paixões, eu desperto. E o tempo se rói com inveja de mim, me vigia querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver. No fundo, é uma eterna criança que não soube amadurecer. Eu posso e ele não vai poder me esquecer.” (Cristovão bastos e Aldir Blanc)
E já que o ano está em vias de sair pela porta da frente, melhor agilizar a despedida, sem antes deixar registrada sua trajetória.
De uma forma bastante agitada, a passagem de 2008 nos meus dias (ou foram dele?) foi rápida e nem sei bem onde ficaram muitos dos acontecimentos. Os bons momentos que me proporcionou foram preciosos, sem dúvida. Minha descendência se prolonga em alegrias e bem-aventuranças. Exerci a entrega em gestos, palavras e emoções. Recebi bênçãos e estendi meus braços para acalentar a vida.
Mágoas não guardo da companhia desses 366 dias pois, passaram vorazes e deixaram marcas suaves em minhas lembranças. Muito trabalho e trabalho. Nada de muito trágico aconteceu. As perdas foram sentidas dolorosamente na prática de aceitação. Para isso fomos feitos, também. Despedida dói e chorá-las é catalisar as feridas. No fio suspenso das expectativas ficaram as angústias balançando.
Afora isso, no tempo em que 2008 esteve comigo, foi testemunha de conquistas e aquisições de há muito esperadas. Comemo, pois!
Foi um ano bom, malgrado os tropeços e a falta de tempo, que não permitiu mais atenção aos que me são queridos. Fez, como um amante egoísta e ciumento, com que, muitas vezes, eu me tornasse omissa em situações que exigiam a minha presença e companhia. De qualquer forma, agradeço cada dia que partilhou comigo, a sós. Enriqueceu meu calendário de vida com mais um pacote de 12 meses. Valeu!
“E se o tempo sabe passar e eu não sei, eu posso e ele não vai poder me esquecer.” Que o amor que perdi me encontre em algum outro tempo, num lugar diverso, com novo figurino, de cara nova e limpa, sem máscaras, sem medo, sem reticências.
Pois, sempre damos uma resposta ao tempo que bate na porta da frente.
Que a nossa resposta a 2009 seja coerente, mesmo que nos faltem palavras e nos sobrem pensamentos.
A vida corre como um rio de amplas margens. Que saibamos aproveitar a paisagem e sejamos capazes de libertar sonhos e despertar paixões, mesmo que o tempo tente aprisionar ou adormecer nossas tentativas de reviver.




